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Sobre No Silêncio das Trevas (3 de 5)

(por Isadora Sinay)

 

Sobre No Silêncio das Trevas eu começo dizendo que adoro filmes/livros de gênero. Um dos meus filmes preferidos na vida é Dawn of the Dead (que nunca lembro se ficou Madrugada dos mortos ou madrugada dos mortos vivos, mas enfim, o de 76) e leio Agatha Christie em uma tarde e confesso que gosto até de Stephen King. Eu adoro a ideia de uma “forma” e a possibilidade de ainda assim rechea-la criativamente, é quase como fazer um bolo de verdade, você tem a receita, mas se eu e alguma outra pessoa seguimos essa mesma receita a risca o bolo nunca vai ter o mesmo gosto.
Eu gosto muito do Hitchcock e esse filme me lembrou filmes dele em diversos momentos, principalmente no histórico de trauma da protagonista que me parece uma versão menos sofisticada da Marnie, mas o que ele faz não é a mesma coisa: ele subverte a fórmula do gênero, cria o inesperado ao seguir as regras do jogo até um certo ponto e depois dispensar. O que eu gosto em No Silêncio das Trevas é um pouco isso, é um filme de gênero, é quase um romance da Agatha Christie que se a gente parar pra pensar também se sai com resoluções um pouco óbvias e quase mal ajambradas.
Nesse sentido, eu gosto do que a Maíra desgostou, a questão do filme ser muito “verbal”, dele optar por explicar coisas que poderiam ter sido mostradas. Eu concordo que ele perde em sofisticação e “grandeza” ao optar por isso, mas pra mim tem um gosto de clichê esperado e divertido por isso mesmo, como quando o vilão de super-herói decide explicar o plano nos minutos finais, sabem?
Eu imagino que não tenha sido a intenção, mas pra mim ficou como um filme quase ktisch, desse excesso de verbalidade a canastrice do ator e eu não sei… mas pra mim tudo isso tem um gosto ótimo de cinema como cultura pop (que é o que ele é mesmo no fim) e o filme me pegou.
Além disso tem os ótimos planos da escada, que dado o título original é quase um personagem, geométricos, quase abstratos em alguns momentos e acho magistral a cena em que estamos em subjetiva do assassino e a Blanche diz “ah, é só você”. Nós sabemos que é o assassino porque é o único personagem que foi colocado em subjetiva e descobrimos nesse momento que é um conhecido, alguém da casa, claro que era óbvia, mas achei ótima a maneira como essa certeza foi construída.
Eu realmente gostei do filme Diego, quero muito ouvir o que você tem a dizer.
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Uma resposta para “Sobre No Silêncio das Trevas (3 de 5)

  1. Léo

    queridos, se tiverem interesse, meu texto sobre os filmes da mostra que fizemos no Cineclubida:
    http://cineclubida.blogspot.com/2011/10/retrospectiva-o-cinema-americano-depois.html

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